Carolina Matthews

t h o u g h t s

Category : Português

Cheddar, Coriander and Chard Gözleme

Gözleme são uma ‘comida de rua’ típica da Turquia. Como pastéizinhos folheados recheados com carne, verduras ou queijo, e então fritos ou cozidos em uma grelha. Costumávamos fazê-los em casa com um queijo amarelo, conhecido como kashkaval. É um queijo leve e duro que pode ser encontrado em lojas Turcas ou Orientais. Pode-se substituir este queijo por cheddar ou gruyère.

ingredientes

2 colheres (cha) de azeite

500 g de acelga, lavada e cortada

1/4 xícara de coentro picado

6 folhas de massa filo*, de preferência grossa, descongelada

1 cebola roxa ralada

1 pimenta chile sem semente, picada

1 3/4 xícaras de kashkaval ou cheddar ralado

5 colheres (sopa) de manteiga clarificada

procedimento

Em uma frigideira grande, aqueça o azeite e salteie a acelga, o coentro, a cebola, a pimenta e o alho por 2 a 3 minutos, até que as folhas murchem. Remova do fogo e escorra bem. Deixe resfriar em uma tigela de vidro e acrescente o queijo.

Empilhe as folhas de filo e corte em quadrados de 33 cm, descartando as aparas. Corte cada quadrado diagonalmente em 2 triângulos (num total de 12 triângulos). Cubra com um pano de prato úmido.

Preparando um triângulo por vez, espalhe um pouco do recheio de couve com queijo no centro e pincele as laterais com manteiga derretida. Sobre as laterais do triângulo para que selem o recheio dentro. Pincele o triângulo com manteiga e reserve em uma travessa. Repita com os outros 11 triângulos.

Aqueça a manteiga restante em uma frigideira antiaderente sobre fogo médio. Cozinhe os gözleme por 2-3 minutos de cada lado, até que dourem.

Sirva quente ou em temperatura ambiente.

Rendimento: 12 unidades.

 

Desafios

Esta semana eu comecei uma nova fase. Uma fase em que sou funcionária permanente de um distrito escolar, com uma posição integral sob a perspectiva distrital, mas trabalhando meio período sob o ponto de vista das escolas: meu tempo esta sendo dividido entre dois campi.

Estou empolgada com a oportunidade de fazer parte de duas culturas diferentes dentro de um mesmo distrito. Uma é a maior escola elementar do distrito, trazendo enorme diversidade. A outra é a menor, criando um ambiente quase familiar. Uma é trilingüe e tem como desafio aprimorar a comunicação interna. A outra é bilingüe e parece ter conseguido organizar grupos profissionais eficientes. Uma eu conheço do ano passado, pois trabalhei lá por 7 meses em período integral. A outra é uma novidade para mim – fascinante, apavorante, excitante e desafiadora.

Hoje eu ziguezagueei entre as duas, me senti sobrecarregada, esperneei quando descobri que querem que eu dê aula em espanhol, tentei escrever um plano de aula, não consegui me concentrar, percebi que perdi a hora de uma consulta ao médico, saí da escola apressada, deixando para trás o pirex no qual levei a salada para o almoço compartilhado…

Chegando em casa, tentei desabafar com meu marido, mas ele só tinha coisas boas a dizer a respeito dos desafios que estou enfrentando. Para completar, passou a apresentar todas as razões pelas quais esse furacão é na realidade uma grande oportunidade, e como vou crescer com essa experiência, e como eu ficaria incrivelmente entediada se só me escalassem para fazer coisas que eu já domino.

E ele tem TANTA razão! Mas eu ainda estou emotiva, e ainda estou ansiosa, e ainda estou amedrontada. Empolgada para começar a jornada, completamente consciente da grande oportunidade que recebi, mas ainda sensível com tudo isso.

Diferenças

“Não é o caso simplesmente de que a competitividade de outras nações
é amplificada pela proficiência de seus trabalhadores em uma linguagem
específica, mas sobretudo que sua juventude ganha vantagem competitiva e cognitiva
devido ao seu acesso à habilidade excepcional que acompanha o multilingualismo.”
(Jackson, Kolb, & Wilson, 2011)

 

Uma conversa de casamento incomum…

Mas estimulante mesmo assim. O tio de meu marido me pergunta: “Você não acha que o mundo seria um lugar melhor se todos os países falassem Inglês?”

Embora eu tenha certeza de que sua intenção é me levar a discutir, embarco na viagem com ele – contestando, lógico!

Como se meu desacordo tivesse fundamento no fato de minha primeira língua não ser inglês, ele refaz sua pergunta: “E se o mundo todo falasse português? Ou qualquer língua que seja, mas que todos falassem a mesma. Você não acha que as coisas seriam mais fáceis, que a vida seria mais simples?”

Minha resposta e sinceros pensamentos:

Simples, talvez, mas tão desinteressante! Privada de riqueza seria uma descrição mais própria.

Se eu tivesse que escolher uma coisa para apoiar nesse mundo, eu escolheria a diferença. Sou pró diferença, pró diversidade. Percebo o encontro com a variedade como uma das experiências mais enriquecedores que podemos ter e considero esta uma verdade em qualquer âmbito de ser humano. Até em ciência aprendemos que, quando em contato com o diferente, coisas se alteram: experimente abraçar com mãos mornas um copo de água fria. A água amorna, as mãos resfriam.

Mentes estreitas se ampliam

Mudanças, entretanto, vão além de adaptação ou reconhecimento da diferença. Por anos eu mantive a idéia de que a língua é nossa ferramenta para pensar. Assim, quanto mais línguas aprendemos, mais caminhos podemos usar para construir nossos pensamentos. Lendo este artigo defendendo multilinguismo, dei-me conta de que pesquisadores também apóiam essa idéia: aprender línguas ajuda desenvolvimento cerebral e pessoal para além da instrução e da comunicação, ou seja, multilinguismo nos ajuda a crescer, ampliando a própria habilidade de pensar e ser.

De acordo com os autores, aprender outras línguas também ensina sobre outros costumes, aumentando nossa percepção de nuances dentro de nossa própria cultura. Especialmente em um mundo em constante mudança onde o fondue* está derretendo cada vez mais, e as cores e culturas se misturando, essa sensibilidade é fundamental.

Jackson, A., Kolb, C., & Wilson, J. (2011). “National imperative for language learning” *in* Education Week, January 26,  2011.

*fondue aqui se refere ao dito norte-americano de que os Estados Unidos são o “melting pot”, ou panela de fondue, onde as culturas se misturam como os queijos do fondue.

Atividades da Vida Diária

Uma nova experiência

Então hoje fui chamada a substituir a professora na classe de “A.V.D” por 30 minutos, pois ela estava atrasada. Que mundo educacional absolutamente diferente encontrei! A classe de A.V.D. acolhe crianças cujas dificuldades ou deficiências impedem sua participação em classes regulares uma vez que esses alunos necessitam um programa completamente diferente – mais exatamente a capacitação para realizar atividades da vida diária.

O ambiente, os desafios enfrentados pelas crianças, e o tipo de apoio que necessitam por parte das professoras me fizeram lembrar meus dias de Educação Infantil – que não estão tão longe assim, mas parecem ter acontecido anos atrás.

Penso e imagino

Conforme interajo com essas crianças que necessitam ser constantemente lembradas de não arremessar os brinquedos, de pedir antes de arrancar algo das mãos de alguém, e de permanecer dentro da sala de aula, penso quais serão os objetivos educacionais estabelecidos para cada uma delas. Também imagino como as professoras determinam a distância que cada aluno tem condições de percorrer, quanto podem aprender dentro do ano letivo. Mas, acima de tudo, dei-me conta de que este é um de meus pontos fracos: este nível de dificuldade – a ausência de evolução ou o desenvolvimento extremamente vagaroso – poderia me paralizar como educadora. Conforme me envolvo com uma das crianças na sala de A.V.D., investindo tempo em estabelecer uma relação e em ficar absolutamente atenta para captar qualquer resposta que eu possa receber, suspeitei que alguns daqueles alunos não chegam a ser capazes de estabelecer este tipo de conexão.

Dar e receber x Dar e dar

Sou grata pelos educadores que encontram em si a dedicação para ensinar estas crianças e os admiro imensamente. Minha inspiração para ensinar dia após dia, para acordar cedo, trabalhar horas extra e dedicar meu tempo fora da escola para planejar é alimentado pela resposta das crianças ao meu esforço. Eu preciso de algo dos meus alunos em retorno para que eu possa verificar meu progresso, acertar o passo e determinar o curso a seguir. Não consigo imaginar como seria trabalhar tanto assim sem receber tal resposta. Talvez esses educadores sejam mais altruístas que eu, e que sejam capazes de dar. Só dar.

“Os efeitos da educação infantil na performance escolar”

Li ontem um artigo no Child Psychology Research Blog a respeito da importancia da Educação Infantil (ou creche). Para aqueles dentre nós que já trabalharam com crianças pequenas, essa importância não chega a ser novidade.
Me surpreendeu, porém, que a pesquisa discutida por Nestor Lopesz-Duran, PhD, revelou que o impacto na aprendizagem acadêmica ocorre de fato entre crianças cujos pais não têm um alto nível de educação formal. Em outras palavras, crianças de famílias com um histórico de ensino superior aparentemente não se beneficiam tanto – dentre essas crianças, a pesquisa não encontrou diferença significativa de aprendizagem entre aqueles que tiveram educação infantil e aqueles que não.
Tendo estudado e trabalhado como professora de Educação Infantil e como Psicanalista Infantil, entretanto, eu vejo este tema também sob outra perspectiva, uma perspectiva que tem sido gradualmente mais reconhecida entre aqueles que se preocupam com a educação nos Estados Unidos.

“Fazendo as pazes”

Na revista Instructor de maio/junho de 2010, Samantha Cleaver revelou uma nova tendência nas escolas públicas americanas: ensinar educação socio-emocional. Segundo ela, escolas estão começando a perceber que problemas de comportamento frequentemente diminuem quando há uma dedicação sistematica de tempo para ajudar as crianças a lidar com conflitos, tendo ainda o benefício de melhorar a aprendizagem geral do aluno e subir as notas em testes – chave para fazer funcionar a política educational americana.
Cleaver encontrou e conversou com diversas pessoas envolvidas em movimentos, associações e organizações que promovem, ensinam e apóiam a Educação Social Emocional. Em alguns estados, inclusive, a Educação Social Emocional já faz parte das diretrizes educacionais.

O que eu penso

Lendo a respeito de como as crianças aprendem a interpretar intenções e sentimentos através de ilustrações em livros infantis para poderem entender melhor os sentimentos dos outros, de como aprendem a resolver problemas em vez de ignorar seus conflitos, e como a linguagem e comunicação têm um papel importante no processo de Educação Social Emocional, não pude deixar de pensar: Mas é ISSO que ensinamos na Educação Infantil!!
Voltando ao começo deste artigo, quando comento a discussão de Dr. Lopez-Duran: A pesquisa comprovou que o maior impacto da Educação Infantil no SUCESSO ACADEMICO ocorreu em crianças cujos pais tinham menos educação formal. Eu pergunto, porém, se há uma pesquisa que de conta da APRENDIZAGEM SOCIAL EMOCIONAL e sua relação com a Educação Infantil. Eu arrisco dizer que faz uma diferença enorme, sem relação alguma com a história educacional dos pais.

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Cleaver, S. (2010). Making peace: Why social and emotional learning has to come first. Instructor. Scholastic:New York.
Lopez-Duran, N (2010). Day care and school readiness. Retrieved from http://www.child-psych.org/2010/10/day-care-and-school-readiness-closing-the.html