September 21st, 2009 | No Comments »

Quinta feira passada minha mãe lançou seu primeiro romance, “maria” – escrito assim, em letras minúsculas. A letra minúscula no início de um nome próprio na capa de seu livro é apenas mais uma das peculiaridades de minha mãe, que costumam fascinar a maior parte das pessoas que a conhecem, gostem dela ou nao.

A estória que ela conta em “maria” ganha vida com essas peculiaridades. Por vezes eu sinto meu rosto corar frente a sua honestidade em compartilhar sua complexa humanindade, e penso que eu jamais teria a audácia de exibir minhas falhas em publico como ela. Os defeitos expostos, porém, são libertadores quando associados a uma mulher admirável, suficientemente corajosa para acreditar em si e defender suas convicções.

Além dos insights sobre si, “maria” vividamente detalha características de outros, e costura sentidos invocando-me a cada cena, enriquecendo a história e impondo às minhas percepcoes a realidade dos eventos descritos. Eu vejo, sinto, cheiro e ouço o que a protagonista vive. Como consequência, em vez da empatia que costumo sentir como leitora, meu corpo reage a “maria” com emoções reais em primeira mão.

Seu talento desperta minha sensibilidade para observar a vida à minha volta: aparências adquirem cheiros, emoções ganham cor, sons recebem imagem. Toda essa intensidade é transferida para meu mundo, conectando o real e o fantástico e alimentando minha própria imaginação com o desejo de digerir a vida através das palavras.

maria
regina maria b. de albuquerque pinheiro
ottoni editora, 2009 – Itu, SP
217 paginas

Posted in life
September 21st, 2009 | No Comments »

Last Thursday my mother launched her first novel, “maria” – written like that, with lower case. The font size beginning a proper name on the cover of her book is just another of my mother’s peculiarities, which usually fascinate most people who know her, whether they like her or not.

The story she tells in “maria” comes to life with those peculiarities. At times I blush at her honesty in sharing her complex humanity, thinking I would never have the courage to exhibit my flaws in public like that. Most of the lines, however, liberate me as they portray an admirable woman, courageous enough to assume herself and to stand for her beliefs.

Besides the insights on herself, “maria” vividly details characteristics of other humans and ties senses together when bringing me to a scene, enriching the story and forcing the reality of each event described into my perceptions: I see, I feel, I smell and I hear what the protagonist lives. As a consequence, my body reacts with true first hand emotions, rather than empathetic ones.

Her talent wakes up my sensibility to observe life around me. Appearances acquire smells, emotions become tinted, sounds gain image. All that intensity is transferred to my world, bridging the real-outside-world and the fantastic-inside-world and feeding my own imagination with the desire to digest life through words.

Posted in life