September 21st, 2013 | No Comments »

Em Dexter

Debora Morgan foi promovida a tenente. Em uma conversa com seu irmão, ela fala de sua tristeza por seu pai não ter vivido para ver essa grande conquista. Ela o admirava, e se esforçava para ser como ele e para ser reconhecida por ele. Eu entendo totalmente como Debora se sente.

Na minha vida

Minha mãe é uma das pessoas que eu mais admiro no mundo, e ter sua aprovação sempre ocupou um grande espaço na minha vida. No meu caso, porém, ficou um vazio a mais. Minha mãe sempre foi minha torcedora, a pessoa que conhecia meus objetivos, que me ajudava a pensá-los e repensá-los, e que celebrava comigo cada conquista, por menor que fosse.

Dor

O momento que me apavorava por muito tempo, o momento em que ela não estaria presente, chegou no final de maio. Eu havia chorado sua perda um milhão de vezes antes, e chorei um milhão mais depois que ela morreu. Meu verão, entretanto, foi uma montanha russa de luto e entusiasmo, pois perdi minha mãe um mês depois de ter meu primeiro e único filho. Estivemos ocupados, recebendo visita de familiares queridos, visitando familiares queridos, passando momentos deliciosos com amigos. Acima de tudo, eu passei a ter essa preciosidade na minha vida, esse tesouro de quem cuidar.

As vezes, porém, a própria existência do meu filhote me lembra da ausência da minha mãe porque ela se foi sem me dar a chance de apresentá-la pessoalmente à minha maior realização. A dor resultante penetra fundo e aperta meu coração, espremendo aleatoriamente lágrimas de tristeza em momentos de alegria.

Saudade

Esta noite eu pensei nela quando lia para meu filhotinho. Como ela, uma das personagens – uma boneca de pano que ela adorava – é obstinada, brilhante, e troca nomes de pessoas e lugares. Eu sorri ao lembrar que, quando a mamãe me visitou em fevereiro, rebatizou o supermercado Fred Meyer, chamando-o Fred Mercury, da mesma forma como rebatizou o shopping Villa Lobos, chamando-o Shopping Monteiro Lobato.

Nunca mais

Eu sinto tanta falta da minha mãe! Eu sinto falta de sua sensibilidade, de sua postura aristocrática, de seu tom de voz severo, de seu toque delicado, de sua presença forte. Mas acho que o que mais dói é a idéia de “nunca mais”. Nunca mais abraçá-la, nunca mais compartilhar dúvidas ou realizações com ela, nunca poder digerir completamente o ‘ser mãe’ na troca de experiências com ela.

Apesar de ter pessoas maravilhosas na minha vida, minha mãe era a única pessoa que podia se colocar completamente na minha pele, empatizando com meus sentimentos, por mais insignificantes que parecessem ao coração destreinado. Eu vou sentir muita falta desta certeza.

Já não me apavoro, mas me entristece perceber que preciso crescer e dar conta de ser auto suficiente.

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September 21st, 2013 | No Comments »

In Dexter

Debora Morgan was promoted lieutenant. In a conversation with her brother, she expressed her sadness for not having her father around to see her success. She looked up to her father, and worked hard to be like him and to be acknowledged by him. I could totally relate to Debora’s feelings.

In my life

My mother was one of the people I admired the most, and earning her approval was a huge part of my life. In my case, however, there is one more void. My mother was always my cheerleader, the person who knew my goals, who helped me think and rethink them, and who celebrated with me each little accomplishment.

Pain

The moment I had dreaded for a long time, the moment when she would be gone, came in the end of May. I had cried her loss a million times before, and I cried a million more after she died. My summer, however, was a roller coaster of grief and excitement, since I lost my mother one month after I had my first and only baby. We were kept busy, having family come to visit, traveling to visit family, spending great moments with friends. Most of all, I had this little light to take care of, my little treasure.

At times, however, his very existence reminds me that she is gone because she left without giving me the chance to introduce her in person to my greatest feat. The pain I feel for this cuts deep and squeezes my heart, pouring random tears of sadness in moments of happiness.

Saudade

Tonight I thought of her as I read to my baby boy. Like her, one of the characters – a talking rag doll she loved – is willful, brilliant, and changes names of people and places. I smiled remembering that when mom visited me in February she renamed Fred Meyer, the supermarket: it became Fred Mercury, the same way she had renamed the mall near her home in Sao Paulo, calling it Monteiro Lobato instead of Villa Lobos.

Never

I miss my mother so much! I miss her sensibility, her aristocratic stance, her stern tone, her gentle touch, her strong presence. But I think what hurts the most is the idea of “never”. Never be able to hug her again, never be able to share doubts or accomplishments with her again, never be able to completely make sense of being a mom by exchanging experiences with her.

Although there are wonderful people in my life, my mom was the one person that could always completely relate to what I was feeling, however insignificant it might seem to the untrained heart. I will miss that certainty.

I no longer fear, but it does sadden me to realize I need to grow up now and do it all by myself.

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