October 5th, 2013 | 1 Comment »

Escrevi minha tese de conclusão do curso de Psicologia sobre motivação intrínseca na aprendizagem, analisando meus dados sob a lente da Psicanálise. Escolhi uma de minhas professoras do núcleo de Psicanálise e Educação para avaliar meu trabalho e, apesar de ela ter escrito comentários positivos, foi assertiva em relação a minha falta de análise sobre a transferência entre aluno e professor – segundo ela, a grande contribuição da psicanálise à compreensão do processo educativo. Na época eu não entendi muito bem sua colocação, assim como não entendi a importância da transferência na educação. Depois de 12 anos, uma luz se acendeu ao final de minha 5a semana de aula no 1o ano.

Desafios

Pela primeira vez desde que comecei a lecionar, fui designada como professora de um 1o ano. Um 1o ano com muitos desafios comportamentais, sociais e emocionais, uma proporção de meninos:meninas de 16:9, e pelo menos 10 alunos ainda não alfabetizados. Passei o primeiro mês de aulas em choque, convencida de que não seria possível ‘domar’ aquelas crianças para que se comportassem como alunos de primeiro ano e não como pré-escolares.

Desânimo, reflexão, planejamento

Depois de muita vontade de desistir, muita reflexão, e muitos ajustes em meu planejamento, finalmente comecei a estabelecer conexões pessoais através das historias que meus alunos vêm escrevendo (cada um à sua maneira) e dos livros que vêm lendo (cada um dentro dos seus limites). O resultado apareceu nos desenhos com corações e flores que passei a receber, nos abraços e sorrisos que me vêm sendo presenteados. Juntamente com essas manifestações, a postura diante da aprendizagem também está mudando: crianças que antes relutavam em produzir historias por não saberem escrever, ou que não paravam no lugar durante leitura por não saberem ler passaram a se mostrar empolgadas com suas produções e com seus livros, passaram a procurar com dedicação maneiras de escrever suas palavras e de ler seus livros. Essas maneiras, mesmo não sendo maneiras convencionais – ou até por isso – vêm gerando uma aprendizagem fantástica.

Ah! Agora eu entendi!

Enquanto dirigia para casa depois de mais um dia intenso no primeiro ano, de repente me ocorreu que, ao dedicar alguns minutos por dia às necessidades individuais dos meus alunos, enchi o coraçãozinho deles de esperança e de auto-credibilidade. No meu olhar, na transferência, essas crianças puderam se desengessar e voltar a se desenvolver. Hoje, finalmente entendi o que minha professora tentou me dizer em 2001.

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October 5th, 2013 | No Comments »

I wrote my college thesis about intrinsic motivation in the learning process, analyzing my data under a psychoanalytical lens. I chose one of my professors from the “Psychoanalysis and Education” class to assess my paper and, although she wrote positive comments, she was quite assertive in respect to my lack of reference to the transference between student and teacher – according to her, Psychoanalysis’ great contribution to understanding the educational process. At the time, I did not quite grasp what she meant, and I did not quite get the importance of transference in Education. 12 years later, a lightbulb went on at the end of my 5th week of classes in first grade.

Challenges

For the first time since I began teaching, I was assigned to teach first grade. A first grade with many  behavioral, social, and emotional challenges; a proportion boy:girl of 16:9, and at least 10 illiterate students. I spent my first month of class in shock, convinced it would not be possible to ‘tame’ those kids so that they would behave like first graders instead of preschoolers.

Helplessness, reflection, planning

After considering giving up, reflecting and adjusting my plans, I finally started establishing personal connections through the stories my students have been writing (each one their own way) and the books they have been reading (each one within their own limits). The result came in the shape of pictures full of flowers and hearts I started to be given, in the hugs and smiles I am being gifted with.

Along with these manifestations, students posture towards learning is also shifting: children who once hesitated to produce stories because they could not write, or who did not sit still during reading time because they could not read, began to show excitement in their productions and in their books. looking hard for ways to write their words and read their books. These ways, although unconventional – or maybe because of it – have been generating amazing learning.

Oh! Now I get it!

Driving home after another intense day in first grade, it suddenly occurred to me that by dedicating a few minutes a day to the individual needs of my students, I filled their little hearts with hope and self-trust. In my gaze, in transference, these children were able to uncast themselves and begin developing once again. Today, I finally understood what my professor tried to tell me in 2001.

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