May 5th, 2013

Minha irma veio do Brasil para me acompanhar em minha estréia como mãe. Ela tem dois filhos – filhos que ela deixou no Brasil para estar aqui comigo, 100% focada nas minhas necessidades.

O que passamos juntas nesses dias deu um novo sentido sobre o que significa ser irmã. De forma semelhante a percepção que tive sobre minha relação com meu marido, a postura de minha irmã durante o intenso processo de parto abriu meus olhos ao sentido da irmandade.

Sempre fomos diferentes em tantos aspectos. Ela é prática, eu sou idealista; ela é organizada, eu sou caótica; ela planeja sua vida, eu deixo a minha acontecer. Apesar disso, acho que ambas nutrimos uma pela outra um afeto profundo que não é sempre evidente ao olho nu.

Nossas diferenças ficaram tão claras quando eu revelei minhas escolhas referentes ao parto – especialmente em relação a intervenções médicas.

E foi então que eu vi o amor fluir dela. Seu primeiro movimento foi compartilhar sua experiencia e fazer sugestões, falando comigo sobre intervenção médica para acelerar o parto e administrar a dor. E, francamente, eu fiquei desapontada por ela tentar mudar minhas idéias.

Porém, quando ela percebeu que minha posição estava tomada, ela mudou de atitude tão completamente que sua flexibilidade me comoveu – uma característica que eu não conhecia nela. Ela se uniu ao meu marido para me massagear, me ajudando a lidar com a dor que eu não queria apagar artificialmente. Ela pensou em maneiras alternativas que ela conhecia para suportar a dor, como imersão em água morna. Ela me protegeu do mundo externo, filtrando ligações, mensagens de texto, etc, mas ao mesmo tempo mantendo a família informada do estado das coisas.

Essa mudança na atitude dela e o apoio que mostrou foram para mim prova do amor maior – amor que é a raíz de um respeito pelo outro mesmo quando as idéias diferem das nossas próprias.

Eu espero que ela saiba que eu tenho por ela o mesmo afeto. Espero que seja percepível para ela da mesma forma como o dela por mim se fez visível nesses dias que ela está aqui cuidando de mim enquanto eu aprendo a ser mãe do meu nenezinho, às vezes seguindo seus passos, outras tomando uma direção diferente, mas sempre com o maior respeito pela experiencia dela, por sua opinião e por quem ela é.

This entry was posted on Sunday, May 5th, 2013 at 5:43 am and is filed under life, Português. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can skip to the end and leave a response. Pinging is currently not allowed.

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