June 14th, 2011
“Não é o caso simplesmente de que a competitividade de outras nações
é amplificada pela proficiência de seus trabalhadores em uma linguagem
específica, mas sobretudo que sua juventude ganha vantagem competitiva e cognitiva
devido ao seu acesso à habilidade excepcional que acompanha o multilingualismo.”
(Jackson, Kolb, & Wilson, 2011)

 

Uma conversa de casamento incomum…

Mas estimulante mesmo assim. O tio de meu marido me pergunta: “Você não acha que o mundo seria um lugar melhor se todos os países falassem Inglês?”

Embora eu tenha certeza de que sua intenção é me levar a discutir, embarco na viagem com ele – contestando, lógico!

Como se meu desacordo tivesse fundamento no fato de minha primeira língua não ser inglês, ele refaz sua pergunta: “E se o mundo todo falasse português? Ou qualquer língua que seja, mas que todos falassem a mesma. Você não acha que as coisas seriam mais fáceis, que a vida seria mais simples?”

Minha resposta e sinceros pensamentos:

Simples, talvez, mas tão desinteressante! Privada de riqueza seria uma descrição mais própria.

Se eu tivesse que escolher uma coisa para apoiar nesse mundo, eu escolheria a diferença. Sou pró diferença, pró diversidade. Percebo o encontro com a variedade como uma das experiências mais enriquecedores que podemos ter e considero esta uma verdade em qualquer âmbito de ser humano. Até em ciência aprendemos que, quando em contato com o diferente, coisas se alteram: experimente abraçar com mãos mornas um copo de água fria. A água amorna, as mãos resfriam.

Mentes estreitas se ampliam

Mudanças, entretanto, vão além de adaptação ou reconhecimento da diferença. Por anos eu mantive a idéia de que a língua é nossa ferramenta para pensar. Assim, quanto mais línguas aprendemos, mais caminhos podemos usar para construir nossos pensamentos. Lendo este artigo defendendo multilinguismo, dei-me conta de que pesquisadores também apóiam essa idéia: aprender línguas ajuda desenvolvimento cerebral e pessoal para além da instrução e da comunicação, ou seja, multilinguismo nos ajuda a crescer, ampliando a própria habilidade de pensar e ser.

De acordo com os autores, aprender outras línguas também ensina sobre outros costumes, aumentando nossa percepção de nuances dentro de nossa própria cultura. Especialmente em um mundo em constante mudança onde o fondue* está derretendo cada vez mais, e as cores e culturas se misturando, essa sensibilidade é fundamental.

Jackson, A., Kolb, C., & Wilson, J. (2011). “National imperative for language learning” *in* Education Week, January 26,  2011.

*fondue aqui se refere ao dito norte-americano de que os Estados Unidos são o “melting pot”, ou panela de fondue, onde as culturas se misturam como os queijos do fondue.

This entry was posted on Tuesday, June 14th, 2011 at 11:14 pm and is filed under Education, life, Português, Someone else's thoughts. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

One Response to “Diferenças”

A Troca de Sanduíches | Prescook Says:

[…] Abdullah e por Kelly DiPucchio, toca em dois assuntos significativos por meio de um enredo terno: o valor das diferenças e a relação entre comida e […]

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